Peixes Esquecidos da Amazônia
Avaliação “em toda a bacia”, inédita no gênero, confirma a biodiversidade de água doce da Amazônia e destaca que o tempo para conservar esse ecossistema vital está se esgotando rapidamente.
A The Nature Conservancy lidera a mais recente edição da série de relatórios “Forgotten Fishes”, confirmando o status da Bacia Amazônica como a bacia hidrográfica com maior biodiversidade do planeta e destacando o papel fundamental — muitas vezes oculto — que as mais de 2.700 espécies de peixes de água doce desempenham na conservação, na produtividade econômica e na identidade cultural.
Em contraste com estudos anteriores, que se concentravam na biodiversidade, o relatório mais recente se baseia nos depoimentos de comunidades indígenas e locais para explorar suas relações com os peixes de água doce, destacando seu papel insubstituível como guardiões na preservação do futuro do rio e de sua biodiversidade.
Em um momento em que as ameaças à Bacia Amazônica, decorrentes de diversos impactos causados pelo homem, vêm se intensificando, os autores destacam que a janela de oportunidade para conservar um dos maiores e últimos ecossistemas de água doce remanescentes do mundo está se fechando rapidamente, enquanto ele ainda está em funcionamento.
Enquanto um fenômeno previsto como “Super El Niño” ameaça causar impactos de longo prazo na Bacia Amazônica, a The Nature Conservancy (TNC) e seus parceiros publicaram hoje um relatório inédito que destaca tanto a incrível biodiversidade de peixes de água doce da icônica Bacia do Rio Amazonas quanto a magnitude da oportunidade de conservação tanto para as pessoas quanto para a natureza.
O Relatório sobre os Peixes Esquecidos da Amazônia revela que a vasta bacia hidrográfica abriga mais de 2.700 espécies de peixes registradas — o que representa cerca de uma em cada sete espécies de peixes de água doce do planeta — e consolida seu status como o sistema de água doce com maior biodiversidade do planeta.
Este relatório, que constitui o quarto volume da aclamada série de estudos “Forgotten Fishes”, reúne contribuições de mais de 50 colaboradores de 30 organizações e conclui que — o que é fundamental — a Amazônia continua sendo um dos últimos ecossistemas de água doce de importância global onde ainda é possível evitar a perda de biodiversidade em grande escala.
O relatório também representa a primeira análise abrangente da Amazônia a combinar evidências científicas e conhecimento ecológico tradicional, revelando o papel vital que os peixes de água doce desempenham na sustentabilidade dos ecossistemas, na segurança alimentar, nas culturas, nos meios de subsistência e nas economias em toda a bacia.
Abordagens de conservação colaborativas e centradas na comunidade são essenciais diante dos inúmeros riscos causados pelo homem à Bacia Amazônica, destacados pelo relatório. Essa multiplicidade de ameaças inclui o desenvolvimento hidrelétrico, o desmatamento, a poluição, a pesca excessiva e as mudanças climáticas, fatores que, em conjunto, prejudicam a conectividade fluvial, fragmentam o habitat da fauna silvestre, alteram os padrões naturais de vazão e degradam a qualidade da água, em detrimento da biodiversidade única da região e dos meios de subsistência de milhões de pessoas. O relatório alerta que, embora exista uma grande oportunidade de conservação caso as ações sejam aceleradas rapidamente, a falta de medidas coordenadas em toda a bacia pode fazer com que a Amazônia siga o caminho de outros sistemas fluviais fortemente alterados — levando a um declínio ecológico significativo.
Ao comentar sobre a publicação do relatório, a autora principal Fernanda Silva, cientista especializada em conservação da pesca em águas doces da Amazônia pela TNC, afirmou: “Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados para a restauração de ecossistemas após a ocorrência de danos. Ao contrário do que veiculam a mídia, nosso estudo confirma que a Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de águas doces de importância global enquanto ele ainda está em funcionamento. Nosso relatório também mostra como iniciativas centradas na gestão indígena, em áreas protegidas e na colaboração em escala de bacia já estão produzindo resultados que, embora ainda precisem ser fortalecidos e ampliados, representam um modelo para o futuro da conservação de água doce, não apenas na Amazônia, mas em todo o mundo.”
O relatório destaca até que ponto a extraordinária biodiversidade de água doce da Bacia Amazônica é protegida pela liderança indígena, com comunidades indígenas, tradicionais e locais reunindo gerações de conhecimento ecológico. As práticas de governança indígena cuidam de muitos dos rios mais intactos e ricos em biodiversidade da bacia, mantendo a conectividade fluvial diante de pressões crescentes. Sua liderança, aliada aos paradigmas de conservação de origem ocidental, exemplifica o que já sabemos ser verdade: apoiar os direitos das comunidades indígenas, tradicionais e locais é fundamental para conservar a biodiversidade, ecossistemas resilientes e comunidades prósperas para as gerações futuras, não apenas na Amazônia, mas em todo o planeta.
“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos. Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, respeitar o conhecimento ancestral e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia”, afirmou Fany Kuiru Castro, coordenadora-geral da COICA e autora do Relatório “Peixes Esquecidos da Amazônia ”.
Ao compartilhar suas perspectivas sobre o relatório, Paula Caballero, diretora-geral regional da TNC para a América Latina e figura-chave na criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, afirmou: “O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social. Ele oferece um roteiro de ação que reúne governos, investidores, cientistas e povos indígenas em torno de um objetivo comum: manter uma bacia resiliente e conectada, capaz de sustentar a biodiversidade, os meios de subsistência e a prosperidade regional.”
Para baixar o relatório completo “Amazon Forgotten Fishes”, acesse o site Nature.org.
Sobre a The Nature Conservancy
A The Nature Conservancy é uma organização global de conservação dedicada a preservar as terras e as águas das quais toda a vida depende. Guiados pela ciência, criamos soluções inovadoras e práticas para os desafios mais complexos do nosso mundo, para que a natureza e as pessoas possam prosperar juntas. Estamos enfrentando as mudanças climáticas, conservando terras, águas e oceanos em uma escala sem precedentes, fornecendo alimentos e água de forma sustentável e ajudando a tornar as cidades mais resilientes. A The Nature Conservancy está trabalhando para causar um impacto duradouro em todo o mundo, em 83 países e territórios (39 por meio de ação direta de conservação e 44 por meio de parceiros), por meio de uma abordagem colaborativa que envolve comunidades locais, governos, o setor privado e outros parceiros. Para mais notícias, acesse nossa sala de imprensa ou siga a The Nature Conservancy no LinkedIn.