A SPA lança novo White Paper sobre ciência e políticas White Paper reunião anual do Grupo de Trabalho do GCF
Membros do Painel Científico para a Amazônia SPA) participaram da 16ª Reunião Anual da Força-Tarefa dos Governadores sobre Clima e Florestas (Força-Tarefa GCF), realizada de 18 a 22 de maio de 2026, em Florencia, Caquetá, Colômbia. Lá, eles participaram de uma série de importantes discussões relevantes para a região amazônica e compartilharam mensagens-chave e recomendações do SPA.
Em 21 de maio, a SPA lançou um novo White Paper, intitulado “Do Conhecimento à Ação: Fortalecendo a Interface Ciência-Política para o Futuro da Amazônia”. O documento argumenta que o futuro da Amazônia dependerá não apenas do que sabemos sobre a floresta e as pessoas que nela vivem, mas também da eficácia com que cientistas, formuladores de políticas e comunidades amazônicas sejam capazes de traduzir o conhecimento em ações políticas. Com base em consultas a especialistas, ele propõe caminhos práticos para fortalecer a interface entre ciência e política, levando em conta as diversas realidades dos países amazônicos.
O lançamento foi apresentado por Colleen Scanlan Lyons, autora principal do White Paper diretora sênior de Bioeconomia e Engajamento da Força-Tarefa do GCF. Scanlan abriu o evento dando as boas-vindas a Eduardo Taveira, secretário de Meio Ambiente do Estado do Amazonas (Brasil), que esteve entre os especialistas consultados durante a elaboração do documento. Taveira enfatizou que a Amazônia se encontra em um momento decisivo: embora já exista um amplo conhecimento científico sobre os desafios da região, o verdadeiro obstáculo reside em traduzir esse conhecimento em ações concretas. Ele argumentou que fortalecer as conexões entre ciência e políticas públicas não é suficiente, a menos que os governos também comprometam os recursos, o financiamento e os mecanismos de implementação necessários para colocar em prática soluções comprovadas.
Taveira também enfatizou que os povos indígenas e as comunidades locais não devem arcar sozinhos com os custos da conservação. Descrevendo-os como prestadores de um serviço global que beneficia todo o planeta, ele defendeu o reconhecimento e a remuneração justos por meio de medidas como pagamentos diretos, segurança da posse da terra e uma sociobioeconomia viável. Sua mensagem central foi que a conservação da Amazônia não deve ser um sacrifício exigido dos mais vulneráveis, mas sim o resultado de um modelo de desenvolvimento mais justo e inclusivo.
Em seguida, Germán Poveda, autor da SPA e ex-membro do Comitê Diretor Científico da SPA, fez um apelo contundente para que o conhecimento seja transformado em ação em prol da Amazônia. Poveda observou que tanto as evidências científicas quanto o conhecimento detido pelos Povos Indígenas e Comunidades Locais já oferecem uma base sólida para enfrentar os desafios da região. Com aproximadamente 35% da Amazônia já afetada pelo desmatamento e a região se aproximando pontos de não retorno críticos pontos de não retorno ecológico, ele ressaltou a necessidade urgente de fortalecer as interfaces entre ciência e políticas públicas, reconhecer e dar visibilidade aos sistemas de conhecimento indígenas e locais, além de promover uma maior colaboração entre os setores. Suas observações ecoaram uma das mensagens centrais White Paper: o futuro da Amazônia depende da transformação do conhecimento em ações eficazes e duradouras.
Francisca Arara tomou então a palavra. Arara é chefe do Departamento de Regulamentação do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre (IMC), no Brasil, e presidente do Comitê Regional de Parcerias com Povos Indígenas e Outras Populações Tradicionais da Força-Tarefa do GCF, além de ter sido uma das especialistas consultadas para o White Paper. Arara destacou o papel essencial dos povos indígenas, das comunidades locais e de seus parceiros nacionais e internacionais na conservação das florestas tropicais. Ela ressaltou que o conhecimento tradicional e o conhecimento científico devem trabalhar em conjunto, mas que o que ainda falta são ações concretas e os recursos necessários para transformar esse conhecimento em soluções eficazes.
Ela também enfatizou a importância de fortalecer a participação e a liderança das mulheres nos processos de governança, argumentando que uma tomada de decisão mais inclusiva e representativa pode ajudar a abrir oportunidades para financiamento, segurança alimentar, inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável. Arara ressaltou que as comunidades precisam não apenas de conhecimento, mas também de acesso a recursos, tecnologia e políticas públicas que sejam implementadas de forma transparente e eficaz em benefício de todos.
Por fim, Luis Francisco Ruíz Aguilar, governador de Caquetá e anfitrião da reunião da Força-Tarefa do GCF, subiu ao palco para enfatizar que políticas públicas eficazes devem se basear em uma compreensão clara das realidades locais e ser construídas por meio da colaboração entre comunidades, povos indígenas, governos e a academia. Ele observou que a combinação desse esforço coletivo com financiamento adequado pode ajudar a garantir que as políticas sejam implementadas com sucesso na prática. Ele também destacou a importância da tecnologia e de sistemas de informação confiáveis como ferramentas essenciais para a tomada de decisões bem fundamentadas, argumentando que dados acessíveis e confiáveis devem desempenhar um papel central na concepção e implementação de políticas públicas.
Ao encerrar a apresentação do White Paper, Scalan destacou a necessidade de fortalecer a interação e a colaboração entre os setores. Embora o conhecimento científico, a tecnologia e a academia sejam essenciais, observou ela, um progresso significativo exigirá um envolvimento mais estreito com governadores e outros formuladores de políticas, povos indígenas e comunidades locais, que já estão elaborando e implementando soluções na prática. Ela reforçou que, para preencher a lacuna entre conhecimento e ação, é preciso reunir diversos atores e sistemas de conhecimento a fim de cocriar e implementar políticas mais eficazes e inclusivas para a Amazônia.
Do Conhecimento à Ação: O que o White Paper
Com base em consultas a especialistas, o White Paper várias vias práticas para fortalecer a interface ciência-política, levando em conta as diferentes realidades dos países amazônicos. Essas vias se enquadram em quatro categorias: estabelecer pontes entre ciência e política específicas para cada contexto, que sirvam como espaços sustentáveis de diálogo; criar forças-tarefa de especialistas de resposta rápida para apoiar a tomada de decisões; fortalecer a comunicação científica e a diplomacia científica; e desenvolver laboratórios vivos e centros de inovação para testar e aprender com soluções potenciais. O White Paper defende que uma interface ciência-política eficaz deve ser inclusiva, intercultural, multinível, ágil e transfronteiriça — e que deve estar fundamentada na confiança, construída por meio de um envolvimento contínuo, humildade e aprendizado mútuo.
As conversas realizadas em Florência refletiram essas mesmas prioridades: transformar o conhecimento existente em ação, reconhecer o papel dos povos indígenas e das comunidades locais e criar os espaços de colaboração necessários para passar do diagnóstico à implementação.